Hedge, commodities e a complexidade do mercado


Os primeiros contratos para entrega futura ocorreram em 1730, na bolsa de arroz de Osaka Japão. Esse modelo de organização espalhou para o mundo.


Em meados do século XIX no mercado agrícola de Chicago, EUA, agricultores e pecuaristas concentravam suas vendas nas grandes cidades. No entanto, esse movimento desarticulado gerava uma excessiva oferta, causando uma queda nos preços, em que muitas vezes ficavam abaixo dos custos.


Para mitigar esse problema, muitos vendedores passaram a negociar os preços antes da entrega, evitando um excesso de oferta no mesmo período. Ou seja, adotaram a prática do “hedge” (proteção | cerca).

Essa foi a origem das operações a termo. Posteriormente, essas operações foram aperfeiçoadas e deram origem aos modernos derivativos, hoje comuns no mercado financeiro.


O hedge em commodities | contratos futuros |


As operações de Hedge são muito utilizadas em commodities em que tem como característica os preços determinados pela oferta e procura e não efetivamente pelo custo de produção. São produtos com qualidade e características uniformes, estocáveis, aceitação a nível global e baixo nível de industrialização. Há vários tipos de commodities.


Exemplos de hedge | commodities


Produtores de Soja:


Estabelecem com seus compradores um preço fixo, que será pago e entregue futuramente. (Preço futuro de equilíbrio, viável ao produtor e aceito pelo mercado).


Os produtores ao terem uma previsão de colheita, definem os preços que julgam ser justos para a comercialização dos seus produtos (preços de custos + lucro satisfatório). Caso ocorra uma queda significativa dos preços em função de grande oferta de produtos, o produtor terá garantido seu valor negociado. Caso tenha uma alta, não irá perder e sim deixar de ganhar o excedente.


A estratégia também garante que em caso de escassez o preço não seja demasiadamente elevado.



Hedge cambial


Amplamente utilizado para empresas que mantêm intensas relações comerciais com empresas estrangeiras.


Consiste em estabelecer um contrato de hedge que fixe o valor da moeda em um número (quer seja para compra ou para venda).


Objetivo: Proteger contra a variação cambial.


O hedge funciona como mecanismo de defesa para se proteger contra as grandes oscilações cambiais. No intuito de evitar o impacto da variação do dólar nas operações realizadas, é comum negociações com base no mercado futuro (ou seja, uma estimativa da cotação do dólar).


A empresa também pode efetuar a compra do dólar (compra em um momento de baixa | estabilidade), podendo vender ou utilizar para pagamentos.


Outras formas: Contratos futuros | Aplicar em fundos cambiais, etc.


Exemplo:


Empresa recebe encomenda de equipamento no valor estimado de USD100.000,00

(material será exportado).


A cotação do equipamento foi efetuada com base nos custos (fixos e variáveis), impostos, valor do dólar, projeção e lucro. Considerando que a cotação do dólar na data da encomenda de R$ 5,00 e o efetivo embarque e pagamento só serão efetuados em seis meses em função do processo de fabricação, foram traçados cenários.


Data da encomenda: 1 USD = R$ 5,00

Data da entrega do equipamento: 1 USD = R$5,50 (estimado)

Preço de resistência (1) 1 USD = R$ 4,65


(1) Seria o menor preço aceitável. Ou seja, o fornecedor com base em seus custos projetou que receber qualquer quantia abaixo de R$ 465.000,00 seria um prejuízo (USD 100.000,00 x R$4,65)


Riscos:


Data da entrega do equipamento: Qualquer valor abaixo do preço de resistência.


Solução operação de Hedge cambial | Mercado financeiro:


Fixar o valor da moeda | travar. Objetivo: proteger contra a variação cambial.


Pontos de atenção: Cenários para antever os eventos, traçar o valor razoável para garantir a lucratividade, análise dos custos de proteção x risco, impacto na lucratividade, etc.

O hedge cambial garante, previsibilidade, em casos que o pagamento do produto importado estiver agendado para data futura.


Empresas exportadoras:


Dólar em alta significa maior receita, ao passo que, dólar instável e com viés de baixa significa menor receita. Proteção cambial: aplicável caso haja risco da valorização do real perante o dólar maior do que o estimado e com impacto no negócio.


Empresas importadoras:


Dólar em alta significa maior gasto | custo, ao passo que, dólar instável e com viés de baixa significa menor despesa. Proteção cambial: aplicável caso haja risco da desvalorização do real perante o dólar maior do que o estimado e com impacto no negócio.


Enfim, cada vez mais operações de compras e vendas exigem um conhecimento do mercado e consequentemente da econômia no intuito de garantir a lucratividada da empresa. Dessa forma é fundamental o estreitamento do relacionamento das partes envolvidas no processo decisório. Além das habilidades comerciais é fundamental que as empresas trabalhem com cenários futuros e com o envolvimento de todos os departamentos necessários. (custos, financeiros, compras, vendas, engenharia, tributária | fiscal, etc). O grande segredo do sucesso é extrair o melhor das equipe em busca do melhor resultado possível.